domingo, 27 de fevereiro de 2011

Desacreditar



O que fazer com um sonho
Despedaçado, desiludido
Fidelidade inexistente
Onde está o sentido?

De querer bem
De estar junto 
De ser somente uma
Sem máscara nenhuma

Vejo um horizonte sem amor
Um horizonte sem esperança
Quebrou-se meu cristal
Quebrou-se a distância

Tudo muito próximo
Tudo muito falso
Não existe a ternura
Sofro a tortura



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Delírio



Essa boca
Não me sai do pensamento
Como um desejo sedento
De uma voz que clama

Me deixe sentir o prazer
De me deliciar em beijos
De mostrar a insana
Que há tempos te chama

Onde encontrarei
O delírio mais ardente
Que meu corpo quente
Implora e devora

Desço ao submundo
Subo pelas paredes
Toma-me com loucura
Me prende, agora
Pela cintura


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Caixa de Veludo



Segui noite a dentro
Noite escura ao relento
Tendo uma esperança nas mãos
E uma insegurança a menos

Me senti forte
Porém eu mesma
Bem vinda a sorte
Que encanta e solfeja

Passos perdidos 
Caminho jamais conhecido
Fecho meus olhos
Me leve amigo

Noite diferente
Uma mulher diferente
Primeiro voo flutuante
Um passo interessante



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Cinderela



Ah quem me dera
Ser sua Cinderela
No baile rodopiar
Por toda noite dançar

Ah quem me dera
Numa carruagem ao luar
Com sapatos de cristal
Docemente desfilar

Ah quem me dera
Seus lábios tocar
Uma vez sentir
Sua mão a passear

Ah quem me dera
Meu perfume encantar
Seus sentidos hipnotizar
Em seus braços repousar


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Silencie



Não fale nada
Apenas me olhe
Venha comigo
Traga o violão

Toque uma melodia
Me toque suavemente
Respire ao meu ouvido
Me beije lentamente

Leve-me ao luar
Um lugar para jantar
Dance comigo
Na noite quente

Fecho meus olhos
Me guie
Em seu solo
Me silencie

Dia de Folga



Numa tarde quente e tranquila
Eis que surge a benção do dia
Bendita água que cai devagar
Para sutilmente refrescar

Me convida para sua dança
Me encanta com sua leveza
Mas a lembrança de uma prancha
Me impede a destreza

De voltar a ser criança
Correr, pular e então
Sentir cada gota
Gritar a cada trovão

Deus não permita
Que eu esqueça jamais
A beleza da chuva
E o bem que ela me faz

Independente



Sonhei
Havia uma música
Suave ao meu ouvido
Pensei

Tudo o que havia sofrido
Me ensinou o sentido
De momentos, família, amigos
Que ao amar, abandonei

Recomecei
Me deixei levar
Mas segura, mais eu
Tentei

De um jeito diferente
Me entregar completamente
À felicidade, a vontade
De uma mulher independente

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Jornalista da Noite



Á flor da pele
Me despe com palavras
Me entontece com o olhar
Inaltece sem pensar

Mel em minha boca
Escorre lentamente
Saboreio esse pecado
Devagar, loucamente

Poucas palavras
Apenas uma peça branca
Imagino inconsciente
Em pé na minha frente

Me seguraria forte
Não sei 
Não aguentaria a sorte
Desmaiei

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sabor Indecifrável



Desejo dormente
Me acorda de repente 
Desperta meus sentidos
Outra vez envolvente

Já havia esquecido
A doçura e o calor
Que invade com o olhar
Me saboreia sem amor

Tão longe mas tão perto
Indecifrável
Não é certo

Me chama mas se vai
Deixando o gosto
De sempre querer mais


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Barulhos



Minha poesia se confunde
Entre a esperança e o sonho
Entre barulhos dissonantes
Entre soluços inquietantes

Tantos personagens
Em apenas uma cena
Não há coadjuvantes
Todos querem o papel

Me comandam
Como uma tola marionete
Em meu espetáculo dançante
Só uma estrela triunfante

Me envolve no seu véu
Fujo, me escondo
Mas me prende no sono
Debaixo dos escombros

Tantas vozes
Tantos caminhos
Poluição sonora
Em meu silêncio
Meu interior
Agora