domingo, 18 de maio de 2014

Nosso próprio tempo

 

Não busquei, me encontrou
Me escreveu na sua melodia
Sonhei em minha poesia

O vento, o tempo, a legionar
Cruzei o seu caminho
Por que não me viu lá
Foi o tempo, tempo de encontrar

Tempo de recomeçar
A andar de mãos dadas
Da saudade na madrugada
Correr para te ver

Sem pressa, me abraça
No nosso momento
Temos a vida amor
E o nosso próprio tempo

Foto: loolysouza.blogspot
 

Luzes acesas

 

E no auge da sua frieza
Na dureza dos seus gestos
Pensei em desistir
Sofrer de esperar, não mais

Como um incansável mineiro
Que bate até brilhar o ouro
Reuni todas as palavras
Mas desabei em choro

A toda legião apelei
Esse marrento vai ceder
Chova ou anoiteça
Nem que dia não amanheça

Meus olhos inchados
Meu cabelo emaranhado
E ele não quis apagar a luz

E então, ele me fez feliz
Nas núpcias nuvens
A mulher mais feliz

Foto: todaaminhasaudade.blogspot
 

Bem me quer

 

O que temos aqui dentro
O que concorda em nós
Que desata e enrola
Que faz pétalas, nós

Nosso bem querer
De discutir, de absolver
Condenar e afrouxar
É mais que querer

Nosso bem querer
De tropeços inseguros
Medos imaturos
É mais que querer

Me puxa e suspira
Quase sem querer
E diz num sussurro
"eu amo você"

 

Não entre sem bater




Eu não gosto e pronto
Mas meu gosto louco
Me faz sofrer uns bocados

Meu lugar, meu espaço
Por que invadem tanto
Minha diplomacia enlouquece
E não sei como dizer

Como explicar
Meu jeito, meu toque
Cada coisa no seu lugar
Por favor não toque

Egoísmo? Egocentrismo?
Sofrer é opcional?

Me fecho e me mutilo
Meu corpo reclama o acúmulo
De palavras não ditas
Novelas e dramas em fita

Foto: danielbattera.com

Vazio

 

Eu aumento o som
No mais alto volume
Sinto sua falta

Meu romance preferido
Meus livros, meus discos
Nada preenche esse vazio

Nem ao menos sua voz
Sua música, perfume
Tudo está frio, vazio

Foto: vilmapiva.blogspot