quinta-feira, 24 de maio de 2012

Anjo que se foi


Como vou experimentar
O doce de sua voz branda
Suas palavras sem fim
Seu amor por mim
Me apaixonei
Uma imagem fixei
Meu desejo ficou naquele
Que à noite abracei 
Aquele que me deu abrigo
Que leu  entrelinhas
Seu olhar, seu sorriso
Me envolveram, perderam 
Que armadilha covarde
Nó cego sem piedade
Presa entre a ilusão solidão
E a estranha realidade


Solista


Peça rara
Na poesia que fala
Alguém em extinção
Alguém em desuso 
Sem valor comercial
Na cadência desvairada
Chego à calçada
Mas não entro em casa 
Tanto sentimento
Calor... eu lamento
Qual verso entregarei
A quem dedicarei 
São palavras ao vento
Um corpo sem lar
Sem intensidade...
Prefiro sozinha voar


Afundei...


Fantasia surreal
Cansei de faz de conta
Quero que seja
Mas chega de ser tonta 
Eu não sou assim
No que me tornei?
Quem é essa que desdenha
E depois se afunda em poemas


Sede



Não adianta fugir
Aquele olhar, sorriso
Já te domina 
A faz andar
Em arame farpado
Machuca
Desliza o equilíbrio 
Seu sangue
Pulsa por ele
Enlouquece seus sentidos
O desejo só aumenta  
Nessa tormenta
Se joga no oceano
Permita que essa onda
Te envolva 
É a única forma
De saciar essa sede


terça-feira, 15 de maio de 2012

Recomeçar...



Quase dois anos
Me dediquei ao engano
Minha vida, meu radar
Era aqui meu lugar

Ouvi tantos insultos
Desmerecimentos, lamentos
Aguentei firme
Acreditei e enfrentei

Eu respirava e sangrava
Na cor e no momento
Não pelo aumento
Eu gostava, eu vivia

Cega mergulhei
Perigoso engano
No palco atrás do pano
Uma faca me atingiu

Ao vento foi meu trabalho
Onde foi que eu errei?
Vou recomeçar
Diferente... ah again...