quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Nada sou
Diante desse imenso mar vermelho
E em meio aos escombros
Uma corrente

Ah essa corrente
Não me permite ver o sol
Cega-me
Com seu brilho intenso
Sua força envolvente

Dor, vazio, esquecimento

Cada vez mais elos a compõe
Compõe de pedras
Compõe de espinhos
Rasgam minha pele

Meus sentidos rijos
Não me permitem desfalecer
Entregar o meu corpo
Às mágoas que me consomem
Ao céu que desmorona
À correnteza que me chama


sábado, 28 de novembro de 2009

Flutuar


Flutuar
Com asas quebradas
Juntar os pedaços
De uma vida congestionada
Presa em paredes de aço
Mais um dia
Mais um ano
E uma conquista
Um obstáculo inatingível
Mais próximo
Melodias, sorrisos, palavras
E uma certeza
Eu consegui
Mais uma vez


domingo, 15 de novembro de 2009

Bodas de Madeira


A luz apagou
O brilho dos meus olhos
Já não se vê mais
A graça acabou

Mas tão pouco tempo
Fui insuficiente
Fui errada
Não pude ser sempre
Atraente

A dor em mim
Não me deixa levantar
Tenho apenas lágrimas
Para me acompanhar

Não me estimo
Não me admiro
No meu íntimo
Sou apenas nada



domingo, 1 de novembro de 2009

Vento...


Vão palavras me conduzam
Vão palavras arranquem de mim o sofrimento
Transformem em belas melodias
Para que eu possa voar
Sentir a brisa em meus pensamentos
Desvendam os meus segredos
Tirem o véu
Da hipocrisia, do egoísmo, da solidão
Me ajudem a encontrar
O verdadeiro sentido
De estar viva...



quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Gelo


Tenho frio
Na alma
Minha alma fria e inerte
Não tem vida
Não tem forças
Já nem sei o que faço aqui...



Espera



Só, comigo mesma
Em meu interior lágrimas escorrem
Me corróem
Por que esse amanhecer não me ilumina
Por que essa chuva não leva
Minhas angústias
Minhas dores
Quero encontrar as rosas
Em meio a esses espinhos
Que ferem
O mais profundo de minha alma
Quero encontrar
O elixir da independência
Para me desprender dessas correntes
Quero me livrar da solidão
Quero aprender a estar sozinha



Olhos Fechados



Olhos fechados
Cansados de solidão
Se fecham para os raios
Não o atingirem
Ao mesmo tempo em que fogem
Da realidade dos sonhos não realizados
Luzes apagadas
Lágrimas incessantes
E um corpo desfalecido
Sedento de paz
Querendo abrigo
Buscando esperança
Esperando respostas
Olhos que se fecham
Mas não partem
Permanecem no fundo
Abaixo de tudo
Pisoteados
Sem reagir...



Mar

Entra na minha vida
Em ondas lentas
Em ondas fortes
Me carrega sem eu dar conta
Quando dou por mim
Estou em você
Me leva
Como um náufrago perdido
Sem rumo, sem esperança
Ao perceber, perdi o continente
Só vejo você, só tenho você
Ao meu redor
Como uma ilha deserta
Me entrego a sua maré
O som dos pássaros tenta me salvar
Mas a melodia
De sua água cristalina
Me ensurdece
E meu corpo desfalece em seus braços.